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Poucos planos, nenhum manual, assim vou

  • 10 de out. de 2016
  • 2 min de leitura

O fato é que a vida anda aos poucos, realmente dia após dia, sem planos futuros, com data, ano, mês e dia, não tenho confiado muito nisso, nessa maneira de viver, com todos os pingos nos i’s, com todas as vírgulas, pontos, com acentuação completa e levada à risca.


Pode parecer ignorância soltar as rédeas do vindouro, deixar que ele mesmo se controle, que seja autossuficiente, podem até dizer que é entregar-se, que é aceitar o que vier, mas creio que não, seria escolher o que me convém, pois sei que apesar de todas as coisas, tudo continuará seguindo.


Além de ter sérias dúvidas se somos nós que passamos pela vida ou ela que passa por nós, pode ser que adotemos uma postura ativa e passemos por ela, ao passo de que assumamos uma posição passiva e a mesma passe por nós, seremos, no caso, meros telespectadores do nosso próprio espetáculo, estaremos na plateia assistindo nossa peça, vendo a mesma ser interpretada por outros.


Algumas verdades doem, nem mesmo precisam ser ditas, alguns preferem seguir um roteiro que talvez tenha sido escrito antes mesmo do nascimento, e assim seguem, com suas vidas já completamente traçadas, sem surpresas, sem desvios, ou seja, às 15:41 do dia 5 de novembro de 2046, ele estará voltando para casa da sua consulta com o psicólogo, vestindo uma blusa azul, uma calça jeans e uma sandália. De tudo isso ele já sabe, por isso precisou ir ao psicólogo, para resolver problemas relacionados a tudo já saber, para perguntá-lo o que é admirar-se, ele não sabia, infelizmente.


Outros vão vivendo sem manual até o findar de suas vidas, cada dia vai sendo uma peça única, considero-os mais leves, uma vez que a vivência de cada singular dia será extremamente importante para a montagem do quebra-cabeça final, é exatamente a ideia de a soma das partes ser maior que o todo. Pequeno será o fim, grandes os meios.


Por fim, nessa história toda prefiro não traçar caminhos, vou andando por uns já feitos, assim como por outros que eu mesmo farei, sabendo de todas as limitações do pioneirismo, do quanto a vanguarda apanha apenas por estar na frente, mas sabemos bem que são eles os que sempre chegam primeiro, afinal, eles decidiram estar mais expostos, ir desbravando, nada mais honroso do que os deixar beber primeiro da água conseguida.


Para mim, é preferível a chegada com a surpresa da conquista, a apenas uma chegada a um triunfo já sabido.


 
 
 

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